O Zylo 2025 SaaS Management Index, que acompanha o gasto real de milhares de empresas com software por assinatura, chegou a um número que resume bem o estado da adoção de tecnologia corporativa: empresas com mais de 10 mil funcionários usam, em média, 660 aplicações diferentes. Empresas menores, de até 500 funcionários, usam 152. E o mesmo relatório mediu que essas organizações desperdiçam, em média, US$ 21 milhões por ano em licenças que ninguém usa — um valor 14,2% maior do que no ano anterior.
Esse número já era alto antes da IA generativa virar rotina de compra corporativa. Agora ele está prestes a ganhar um capítulo novo, e maior. A Gartner projeta que uma grande empresa do porte Fortune 500 terá, em média, mais de 150 mil agentes de IA em uso até 2028 — contra menos de 15 em 2025. Não é um crescimento gradual: é a mesma lógica de sprawl de ferramentas que já sufoca orçamentos de software, só que aplicada a um tipo de sistema que age sozinho, toma decisões e precisa de permissão para isso.
A tentação, diante de cada novo problema, é a mesma de sempre: comprar mais uma ferramenta. Mas dez assinaturas soltas não somam uma capacidade de IA — somam dez ilhas, cada uma com seu próprio login, sua própria política de acesso e nenhum orçamento em comum entre elas.
No Brasil e na América Latina, esse padrão costuma aparecer departamento por departamento: marketing assina uma ferramenta, atendimento assina outra, jurídico testa uma terceira — cada contrato aprovado isoladamente, sem ninguém somando o total nem perguntando se alguma das três já resolveria as necessidades das outras duas.
O problema não é a ferramenta, é a soma delas
O relatório "2026 State of the Cloud", da Flexera, com mais de 750 tomadores de decisão de nuvem ouvidos, encontrou que o desperdício em nuvem cresceu 29% — a primeira alta em cinco anos —, puxado justamente por cargas de trabalho de IA. No mesmo levantamento, 81% das empresas já usam IA generativa, contra 72% no ano anterior e 47% em 2024. A adoção acelera mais rápido do que a capacidade de administrar o que foi adotado.
O padrão se repete nos três estudos: crescimento rápido de ferramentas, crescimento mais lento de controle sobre elas. E quando o controle não acompanha a compra, o custo aparece de duas formas. A primeira é direta — licença paga e não usada, como os US$ 21 milhões medidos pela Zylo. A segunda é indireta e mais cara: cada ferramenta nova exige uma configuração de acesso própria, um novo lugar para auditar, mais uma superfície onde um erro de permissão pode expor dado sensível.
Nenhuma dessas ferramentas, isoladamente, é o problema. O problema é que cada uma resolve um pedaço pequeno da necessidade da empresa e chega sem nenhuma conversa com as outras nove que já estão lá.
Vale notar que o próprio crescimento de 81% no uso de IA generativa medido pela Flexera não veio de um plano centralizado — veio de dezenas de decisões pontuais, cada uma tomada por uma equipe tentando resolver seu próprio problema no menor prazo possível. É exatamente esse padrão de decisão descoordenada que, somado, produz o sprawl que os três relatórios estão medindo.
Por que comprar mais uma ferramenta não resolve

Cada ferramenta nova adicionada a esse cenário chega com sua própria conta, seu próprio login e sua própria trilha — ou, na maioria dos casos, sem trilha nenhuma. Ninguém no jurídico ou na segurança da informação vê o quadro completo, porque não existe quadro completo: existem dez painéis separados, cada um mostrando uma fatia.
O orçamento sofre o mesmo efeito. Quando cada equipe assina sua própria ferramenta de IA, a empresa paga N vezes pela mesma capacidade básica — geração de texto, resumo de documento, resposta a pergunta simples — só que embutida em N produtos diferentes, com N contratos, N datas de renovação e N times de suporte para acionar quando algo falha.
E há um terceiro custo, o mais difícil de colocar em uma planilha: o que uma equipe descobre sobre como usar bem a IA não chega às outras. Se o time de vendas encontrou o jeito certo de configurar um agente para qualificar leads, essa configuração fica presa na ferramenta que só vendas usa. O time de suporte, enfrentando um problema parecido, recomeça do zero em outra ferramenta, com outro contrato.
O que precisa existir na prática
Consolidar em um ambiente de IA governado resolve os três custos ao mesmo tempo — não removendo capacidade, e sim organizando-a.
Identidade única para todas as ferramentas conectadas. A pessoa entra uma vez, com o login da empresa, e o mesmo acesso vale para os agentes e integrações que ela está autorizada a usar — em vez de uma senha por assinatura.
Acesso conforme o papel, não a ferramenta inteira. Uma integração pode ter dezenas de funções; a equipe de suporte recebe as duas que precisa, não a ferramenta completa "porque era o único jeito disponível".
Orçamento comum, consumo visível por área. Em vez de uma assinatura por pessoa — com licença parada quando alguém sai de férias ou muda de função —, créditos de IA compartilhados pela equipe, com gasto rastreável por departamento.
Trilha de auditoria única. Um só lugar para responder quem usou o quê, quando e com qual permissão — em vez de reconstruir a história cruzando o histórico de dez sistemas diferentes.
Reaproveitamento entre equipes. Um agente configurado por vendas pode ser adaptado e reutilizado pelo suporte, com permissão definida por papel, em vez de cada área pagar de novo pela mesma solução.
Isso é o que a Skyller entrega como padrão: identidade corporativa única, créditos de IA compartilhados pela equipe e mais de 100 agentes pré-configurados que qualquer área pode adaptar em vez de comprar do zero.
De custo fragmentado a capacidade compartilhada

O ganho mais visível da consolidação é financeiro: um orçamento comum, com consumo visível por área, substitui o cenário de licença parada de um lado e gente batendo no limite do outro. Mas o ganho maior é operacional. Quando existe um só ambiente, o que uma equipe aprende deixa de ficar preso à ferramenta que ela escolheu sozinha.
Isso também muda a conversa sobre orçamento de tecnologia. Em vez de aprovar mais uma assinatura porque "essa ferramenta resolve exatamente esse problema", a pergunta natural passa a ser se o ambiente que a empresa já tem consegue resolver o mesmo problema com um agente novo, configurado dentro dele — sem outro contrato, outro login e outra trilha de auditoria para manter.
Com o número de agentes de IA por empresa prestes a saltar de dezenas para milhares, segundo a própria Gartner, essa decisão só fica mais urgente. Uma empresa que hoje decide onde e como cada agente novo vai viver está decidindo, na prática, se vai administrar centenas de sistemas separados daqui a três anos ou um ambiente só.
Essa urgência também muda o papel de quem aprova orçamento de tecnologia. A pergunta deixa de ser apenas "esta ferramenta resolve o problema?" e passa a incluir "onde essa capacidade vai morar daqui a dois anos, quando a empresa tiver dez vezes mais agentes em uso do que hoje?". Sem essa segunda pergunta, cada aprovação individual continua fazendo sentido isoladamente — e a soma delas continua sendo o mesmo sprawl.
Perguntas para a próxima reunião de orçamento
Antes de aprovar mais uma ferramenta de IA, vale levar estas perguntas para quem decide orçamento e tecnologia:
- Quantas ferramentas de IA a empresa já paga hoje, e alguém sabe o total exato? Se a resposta exige reunir planilhas de áreas diferentes, o problema já começou.
- Alguma ferramenta que já temos resolveria esse novo pedido com um agente configurado dentro dela? Muitas vezes a resposta é sim, e ninguém perguntou antes de assinar outro contrato.
- Se uma pessoa sair da empresa amanhã, em quantas dessas ferramentas o acesso dela continua ativo? Cada resposta incerta é uma licença — e um risco — que ninguém está monitorando.
- O que uma equipe aprende sobre usar IA bem chega a outra equipe, ou fica preso na ferramenta que só ela usa? Se fica preso, a empresa está pagando para reaprender a mesma coisa em cada área.






