Em junho de 2025, a Gartner publicou uma previsão que virou referência nas conversas de orçamento: mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027. Os três motivos apontados não são técnicos — custo crescente, valor de negócio pouco claro e controles de risco inadequados. Nenhum deles é "o modelo errou". Todos são governança.
O mercado percebeu o tamanho da conta. O relatório State of FinOps 2025, da FinOps Foundation, mostra que 63% das organizações já gerenciam ativamente o gasto com IA — contra 31% no ano anterior. Em doze meses, o número dobrou. Mas a mesma pesquisa aponta onde a atenção está: alocar, medir e prever consumo. Otimizar ainda é prioridade baixa. Ou seja: as empresas acabaram de aprender a enxergar a conta. Poucas aprenderam a dirigir o gasto.
O padrão que produz a surpresa é sempre o mesmo. A empresa dá permissão para um time ou um agente usar IA. Ninguém coloca teto. Cada pessoa recebe uma licença. O agente começa a rodar chamadas em série: verificar, resumir, buscar, gerar, repetir. No fim do mês, a fatura não bate com a previsão — e ninguém consegue explicar qual parte do consumo veio de onde.
Por isso governança de custo deixou de ser assunto de "otimização depois". É pergunta de dia um: quem paga, com quanto, por quê, e quem aprova antes que a conta vire notícia interna.
O padrão que ninguém vê: licença por pessoa, assento parado
Licença por pessoa é fácil de comprar e difícil de justificar depois. O índice de gestão de software da Zylo, publicado em 2026, mede exatamente esse desperdício: as organizações deixam, em média, 36% das licenças de software sem uso. Não são licenças canceladas — são assentos pagos que ninguém abre.
Com IA, o problema ganha um segundo andar. A mesma pesquisa mostra que 78% dos líderes de TI tiveram cobranças inesperadas ligadas a modelos de preço por consumo ou de IA, e 61% precisaram cortar projetos por causa de aumento não planejado no custo de software. O gasto com aplicativos nativos de IA subiu 108% em um ano — e 393% nas empresas com mais de 10 mil funcionários.
Junte as duas metades e o retrato aparece: parte do orçamento está parada em assentos que ninguém usa, enquanto a outra parte estoura sem aviso porque o consumo real não tem teto nem visibilidade. As duas falhas têm a mesma raiz — a unidade de compra (a pessoa) não é a unidade de consumo (a chamada que o agente faz).
Um exercício simples deixa isso evidente. Imagine um time de 15 pessoas com uma assinatura para cada uma. Quatro nunca abrem a ferramenta. Nove usam de leve. Duas rodam agentes o dia inteiro e batem no limite antes do fim do mês. A empresa pagou 15 assinaturas para sustentar o trabalho de duas — e ainda assim travou justamente quem estava produzindo. Nenhum número desse exercício é uma medição de mercado; é a aritmética da licença por pessoa aplicada a qualquer empresa que já abriu o próprio relatório de uso.
O ganho de tratar orçamento como orçamento não é "gastar menos". É enxergar o que está acontecendo e ter poder de decisão enquanto ainda está acontecendo.
O que precisa existir na prática

Créditos compartilhados pela equipe, não licença por pessoa. Um orçamento mensal único é distribuído entre a equipe. Quando alguém ativa um agente, o consumo sai daquele orçamento comum. Ninguém tem "sua" licença parada, e quem precisa de mais volume não fica bloqueado enquanto quatro assentos dormem ao lado. É a correção direta dos 36% ociosos: se não usa, não consome, e o orçamento vai para quem precisa.
Aprovação humana antes de uma ação sensível. Um agente pode resumir cem e-mails no turno dele sem pedir nada a ninguém. Mas ele para e pede confirmação antes de enviar um comunicado à empresa inteira, mandar uma cotação a um cliente ou alterar um contrato. Não é "toda ação exige aprovação" — isso mataria o ganho. É "ação que custa caro ou compromete a empresa exige uma pessoa confirmando, na hora, dentro da própria conversa".
Escolha do modelo por tarefa, não por padrão. Classificar uma mensagem de suporte, limpar uma planilha e resumir um e-mail não exigem o mesmo modelo de IA que redigir uma proposta comercial. Quando o agente roda no modelo mais barato por padrão e só escala para o mais caro na chamada específica que precisa, o custo cai sem que a capacidade caia junto. É a diferença entre pagar pela margem que você usa e pagar pela margem que você talvez use.
Relatório de consumo por área e por agente, visível todo mês. Quem decide despesa precisa ver quando a curva começou a subir, qual agente consome mais e qual área acelerou. Não é para cortar por reflexo — é para perguntar de novo se aquele agente ainda vale a pena depois de três meses rodando. Foi assim que a Skyller foi construída: créditos de IA compartilhados pela equipe, aprovação humana conforme o risco da ação, roteamento automático para o modelo certo por tarefa e custo transparente por conversa.
O ganho que as métricas não mostram
Quando o orçamento é compartilhado e o consumo é visível, dois ganhos aparecem sem que ninguém tenha planejado.
O primeiro é financeiro e imediato: a empresa deixa de pagar por assento parado. Aquela fatia ociosa deixa de ser custo fixo e vira capacidade disponível para quem tem trabalho para fazer — sem uma nova compra, sem um novo pedido de orçamento.
O segundo é de arquitetura, e vale mais no médio prazo. Quando o custo tem nome — "este agente custou tanto no mês passado" — a pergunta certa surge sozinha: ele poderia rodar num modelo mais leve e escalar só quando precisar? ou ele precisa mesmo rodar todas as noites, ou segunda e quarta bastam?. Ninguém faz essa pergunta quando a licença já foi paga e vai vencer de qualquer jeito. Com créditos compartilhados e relatório por agente, ela vira rotina de revisão — e é essa rotina, não o corte, que separa quem vai cancelar o projeto de quem vai mantê-lo rodando depois de 2027.
Três perguntas para levar à próxima reunião

- Se cada agente roda sem teto, quantas chamadas por mês sua empresa está pagando sem saber? Comece pedindo um relatório de consumo real, não uma previsão. Se 78% dos líderes de TI já foram surpreendidos por cobrança ligada a consumo, a chance de haver uma surpresa dentro da sua conta é alta.
- Qual modelo sua equipe usa para cada tarefa: o mais caro para tudo, ou o mais barato que atende à precisão necessária? Se a resposta for "sempre o mesmo", você está pagando, em toda tarefa rotineira, por uma margem que não usa.
- Se um agente pede autorização antes de alterar um documento crítico, quem aprova — e em quanto tempo? A aprovação humana é o que evita a ação cara e irreversível. Mas, se ela virar gargalo, a equipe volta a fazer à mão e o agente perde o valor. Uma fila única de pendências resolve os dois lados.






